domingo, 19 de dezembro de 2010

That I would be good

A casa arrumada e silenciosa. Passeia-se pelos canais à procura de um pouco de nada que a distraia do imenso. Nada. Pensa no pequeno presente guardado no envelope no fundo de uma gaveta, for a rainy day. Não chove, agora. Vai buscá-lo ao fundo da gaveta, reúne os velhos CDs. Acende duas velas no chão, senta-se ao lado no chão. Fuma sorvendo conscienciosamente. Nada. Como se nada. É assim há muito tempo, senta-se no chão, ouve os velhos CDs, na casa arrumada e silenciada. As pessoas vieram, falaram e partiram. Esteve fora e não entrou. Esteve e ficou de fora, lá no fundo de dentro, olhando o mundo pela janela do carro que avança pela noite, no silêncio do banco de jardim. Apetece-lhe dizer isto, é isto mesmo que lhe quer dizer. Dizer-lho todos os dias, que sim, que sabe o que isto é, que sempre soube o que era isto. De viver. De viver e ficar de fora. E que quando fica de fora, do lado de fora onde os outros não estão, é ele que fica ali com ela. Em silêncio, no banco do jardim.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Such joy and happiness



À princesa mágica que completou ontem cinco anos.

Contas

O que isto do blogue tem de bom e de mau é que me obriga a prestar contas a mim própria.

Tolerância

Paciência e tolerância não são a mesma coisa. A tolerância tem uma vertente ética que determina a sua medida, devendo ampliar-se quando os valores em causa assim o peçam e reduzir-se, ao zero se preciso for, no caso contrário. A dificuldade ou, por assim dizer, a virtude, reside em saber qual a medida apropriada a cada situação, tarefa que se revela tão mais fácil quanto mais claros e firmes são os valores de cada um. Talvez por isso nunca tive grandes dúvidas quanto à tolerância: se praticá-la e desenvolvê-la é mote e tarefa para uma vida inteira, é também essencial não esquecer que tolerar actos intoleráveis não faz de nós pessoas melhores.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Paciência

Verifico que, com o tempo, vim a adquirir uma característica que nunca foi minha: a paciência. Faltou-me em muitas ocasiões, mas agora que a conheço melhor começo a duvidar que seja, inequivocamente, uma virtude: são muito ténues as linhas que a dividem, em certos momentos, de outras atitudes, como o comodismo ou o conformismo.

Out of Africa

Sempre que o apanho a dar na televisão fico a ver. É um excelente filme, de outro modo não me teria sido possível revê-lo meia dúzia de vezes, desde 1985 até à data. Há quem embirre com a coisa, a mim sempre me conseguiu prender e cada vez que o revejo vejo-o de outro modo, alternando as empatias, perfilando-me ora com um, ora com o outro, fabricando novas entrelinhas, fazendo outras descobertas, tudo ao ritmo das minhas próprias andanças. Entre os 15 e os 40 anos um gajo muda um bocado, e tudo reside, afinal, na interpretação do sujeito.