domingo, 31 de outubro de 2010

Este blogue está em hibernação.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Viagem

Vais partir e eu vou ficar sem te acenar adeus, feliz que um de nós vá e regresse, depois, para contar como foi, mesmo que não chegue a fazê-lo: basta que volte transformado, só mais um bocadinho, naquilo que é.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Prazer lânguido

Subscrevo inteiramente esta ideia e pratico-a, no que respeita aos livros. Entretanto, impressionou-me a premissa de que a felicidade não deve requerer um esforço.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Lobo Antunes

Volto às entrevistas a António Lobo Antunes com a da revista do Expresso do passado fim-de-semana. O entrevistado é igual a si próprio, eu mantenho-me entre o riso incrédulo e a comoção, a jornalista aproveita para o confrontar com o que sobressai de todas as entrevistas (Repete-se muito. Em todas as entrevistas há coisas que diz exactamente da mesma maneira. E é aí que se nota a construção da sua personagem). No preâmbulo, define-o: esquivo; arrogante; gentil; inseguro; terno; brutal. Confesso que sempre gostei de homens assim.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O amanhecer do Outono

O choque do Outono, para além das primeiras chuvas, é passar a acordar de noite. Mas depois, na cozinha, um amanhecer assim. A seguir, o dia luminoso. E na tarde do mesmo dia, o pôr do sol, junto ao rio.

Não comprei caramelos

Seis horas de carro hoje, e eis-me de volta ao ponto de partida. Fico a imaginar onde poderia estar com seis horas de viagem: nas autoestradas europeias, são muitos quilómetros. A A6, para e de Espanha, deserta: a mentira do TGV, mais uma de tantas. À entrada, fizeram-me parar na berma uns senhores do SEF, coletes verdes por cima da roupa civil a dizer: POLÍCIA. Examinaram-me atentamente o Cartão de Cidadão, não sei o que procuravam: não era a mim.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Apontar o dedo

Ontem, pela manhã, no café, a televisão sem som mostrava um excerto de uma entrevista de Judite de Sousa a um homem grisalho e eu fui seguindo a conversa pelas legendas, enquanto tentava ligar a cara ao nome. Uma centelha de memória visual (péssima para caras embora excelente para detalhes estéticos), aliada ao contexto, fizeram-me crer que era escritor e de língua espanhola. Mario Vargas Llosa, a notícia tornou evidente, falava sobre os mortos vivos, aqueles que estão vivos mas não vivem, não lutam, não sonham, não acreditam. Não amam. Estes, dizia, causam-lhe horror. É bem verdade, horrorizam-nos a todos, e esta visão do horror, como tantas outras, serve também de contraponto. Horrorizamo-nos e ao mesmo tempo tiramos consolo do facto de não chegarmos a tanto ou, melhor, da certeza de que nunca lá chegaremos. É de outros que fala. Olhamos à nossa volta e, sem nos comprazermos da miséria alheia, animamo-nos um bocadinho sabendo que não somos nós, nós, apesar dos pesares, seguimos vivos. A nós, não nos cabe o horror, não nos serve a comiseração. Vargas Llosa conclui, afirmando que esses que estão mortos não sabem que o estão.
E os outros, saberão?

sexta-feira, 1 de outubro de 2010