quarta-feira, 21 de julho de 2010

Férias

Este blogue vai de férias e eu também: vamos de férias separados e quer-me parecer que o blogue só volta em Setembro. Fiquem bem.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Mas Porquê? - resposta a um email

O post que referiu (Mas Porquê?) descreve uma das reacções típicas que tenho tido à escrita do meu blogue e que, suponho, se estende à escrita de qualquer blogue pessoal: há pessoas que o vêm como uma simples narrativa de histórias pessoais, enquanto eu o encaro muito mais como um exercício de escrita e simultaneamente um exercício de auto-libertação e de auto-conhecimento. As pequenas histórias pessoais são apenas alguns dos tijolos de uma construção muito maior.

(Aproveito para, com a mesma resposta, comentar este post da Luísa)

Entretanto, o melhor banho do ano já ninguém me tira

Compensou largamente os 10 km de sprint nocturno.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

quarta-feira, 14 de julho de 2010

XI.
- Bem vistas as coisas, quem é que entrega a alma a alguém num só olhar, num só beijo? Até que ponto estas coisas são reais, de tão inverosímeis, tão resplandecentes de fantasia? Como podem, simultaneamente, ser tão profundamente verdadeiras? E se são, e se um dia puderam ser, como é que nos entregamos depois ao dia-a-dia? À rotina? Em que é que cedemos? O que é que matamos?
A esplanada está agora deserta, sugerindo a agitação produtiva de um princípio de tarde na cidade, confinada aos edifícios refrigerados, tecidos de comunicações. O silêncio veio repousar aqui, juntando-se à ausência e ao calor. Julho chegou quente, como outros julhos, e nem o espelho de água, nem a visão do Tejo, ao fundo, dissipam a envolvência quente que lhe embala a memória. Os patos, indolentes, agitam-se num repente à chegada do grupo de adolescentes que vem contornando o lago, em alegres gargalhadas.
O copo está vazio em cima da mesa. Com um gesto breve da mão, chama o empregado.

FIM

segunda-feira, 12 de julho de 2010

quinta-feira, 8 de julho de 2010

X.
- Não me digas uma coisa dessas. Há cinquenta e tal anos que me sinto terrivelmente real. A não ser que sejas Deus - e mesmo assim (sorri) - não sei como poderia ser obra tua.
- Vá, percebes o que eu quero dizer. Preenchemos os vazios, as frustrações, as ausências, tudo aquilo que não conseguimos alcançar, fantasiando. Recriamos as vivências e as pessoas, acrescentamos a vida, reconstruímos o real. Fincamo-nos nos momentos de deslumbramento e vivemos a partir daí. Tomemos o nosso primeiro beijo: na praia, de noite, saídos do mar, encharcados, semi-nus. Isto é coisa de filme. Como o amanhecer em que me conduziste ao aeroporto, a estrada sinuosa sobre o mar. Ou o entardecer no Solstício de Verão, caminhando pela cidade de braço dado, vestidos de branco. Ou quando nos beijámos, de madrugada, à porta do cemitério, eu de vestido preto, curto. Tudo cinematográfico, pedaços de cenas gravadas na película da memória. Mas a memória, é honesta como suporte de gravação?
- Espera aí, a maior parte do que dizes não se passou comigo.
- O que é que eu te estou a dizer? Entra um terceiro personagem. Talvez um quarto e talvez um quinto, ou um sexto. Ou talvez um só. Talvez eu seja, afinal, pessoa única neste enredo.

terça-feira, 6 de julho de 2010

IX.
- Não sei o que te dizer.
- Não me digas nada. Nada que respeite ao passado. Fala-me do presente, fala-me do futuro. Faz como eu: o passado condenso-o na alma - passo a lamechice - e na escrita, é para isso que ele serve. Não serve para viver, não se pode viver revivendo o passado. O caminho faz-se andando, esta é uma expressão que alguém me deu a conhecer aos vinte anos e de que gosto muito. O passado é uma amálgama que misturo e amasso e misturo novamente e com ela crio novas formas. Ontem vi um filme em que os amigos de um escritor tentam incessantemente que ele confirme que a personagem principal do livro que escreveu é a sua mulher. O escritor vai dando respostas evasivas até que, confrontado pela própria mulher, responde, exasperado, que aquela personagem é a mistura de todas as mulheres da sua vida, incluindo a sua mãe. Quando penso em ti, ou quando escrevo sobre ti, tu és também a condensação de todos os homens da minha vida. E no entanto continuas a ser tu. É também assim com o resto das coisas: as experiências são únicas mas todas juntas formam uma amálgama e é através dela que nós passamos a experimentar a vida. Umas contribuem muito, outras muito pouco, para essa condensação de vida. Mas todas, até aquelas que esquecemos, contribuem um bocadinho.
Faz uma pausa, finalmente olha-o nos olhos.
- Ou seja: tu já não és tu. És, na verdade, obra minha.

Julho

Julho é calor. Foi nascimento, paixões, mortes e renascimentos. É sempre, vá-se lá saber porquê, um mês de coisas importantes. A ver este ano.