sábado, 27 de fevereiro de 2010

Joana Francesa - Chico Buarque

Provavelmente a música mais erótica de todos os tempos: não é à toa que junta as línguas portuguesa e francesa. Foi escrita para Jeanne Moreau.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Da felicidade

Ela disse: dei-me ao trabalho de ser feliz.
Aí está: dá trabalho; dá chatice; desilude-se algumas pessoas; prescinde-se de algumas coisas; fazem-se escolhas; luta-se por elas; pena-se um bocado, e por aí fora.
trabalho.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Whatever works


That's why I can't say enough times, whatever love you can get and give, whatever happiness you can filch or provide, every temporary measure of grace, whatever works. And don't kid yourself. Because its by no means up to your own human ingenuity. A bigger part of your existence is luck, than you'd like to admit.

Alerta laranja, hoje de manhã na praia de Carcavelos: kite-surf

(todas as fotos (da minha autoria) publicadas neste blogue são tiradas com o telemóvel, neste caso correndo sérios riscos de ser levada pelo vento)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Proximidade distante

É incrível como a distância às vezes aproxima as pessoas. Disse-mo um amigo que mora longe e eu soube exactamente do que ele estava a falar.
Não sei quem é que inventou o ditado longe da vista, longe do coração. Talvez alguém com um coração muito pequenino.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Linhas cruzadas

Quando finalmente chegou a pessoa a quem fora destinado o assento ao lado do de 6 anos, que eu me preparava para interpelar numa qualquer língua estrangeira resolvendo a ineficiência dos serviços de check-in de Munique, era a M., colega e amiga de escola de há 36 anos. Durante 20 anos perguntei-me onde diabo se metera toda aquela gente e agora tem sido isto: como se as linhas paralelas se enredassem todas outra vez.

Mont Blanc


Uma semana perfeitamente alheada de todas as rotinas é, só por si, uma semana quase perfeita.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Semaine blanche

Deixo-vos a arrumar a casa e vou por uns dias respirar o ar despoluído da grande cadeia montanhosa. Até logo.
*
Adenda: este post ficou misteriosamente oculto por mais de uma semana.

O Polvo

Eram nove da manhã e a senhora do quiosque bradava que não havia mais Sol, que desde as quatro da manhã que era o Sol, que já se esgotara duas vezes, que não sabia se vinham mais, que estava endoidecida e com enxaqueca, que não havia condições para trabalhar, que era mau para o negocio porque não se vendia mais nada. Quando lhe pedi o Público passou-me sub-repticiamente o saco azul claro, dizendo: para si sôtora, ela que nunca me tinha tratado dessa forma. A senhora do quiosque deve falar com o senhor do banco, a senhora do café e os senhores do outro café, os senhores da garagem e o senhor da mercearia que é marido da porteira do prédio onde trabalho, inseridos que estamos todos no quarteirão onde circulo diariamente há mais de dezasseis anos e o senhor meu pai há quarenta. Eu, que não me esgadanhava para ter o Sol, mas espaldada que estou pela minha trupe, paguei-o para não parecer mal agradecida.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

So many movies, so little time

Nas Nuvens vê-se muito bem, tem óptimos gags, mas o resto é um bocadinho psicologia de pacotilha, não? Confesso que não vi os últimos 10 mn com a devida atenção porque entraram uns sms a dizer que o de 6 anos estava com uma fortíssima dor de ouvido: se calhar a epifania não me atingiu com a devida força.
*
Eu preferia o canastrão do Clooney no E.R., que acabou de acabar, após 15 anos de excelente televisão - 15 anos, é inacreditável, ainda ontem o primeiro episódio e o Carter com a sua bata engomadinha.

Une belle histoire

Há anos que não ouvia isto.

Petição pela liberdade

Vão lá assinar, vá.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Blogue

Um blogue intimista é uma coisa terrivelmente narcisista. É inevitável fartarmo-nos do seu autor, depois de lhe conhecermos e reconhecermos os pequenos hábitos até à exaustão. Se ler um blogue todos os dias é um bocadinho como casarmo-nos com o seu autor, imagine-se casarmo-nos connosco.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Crónicas

Alguém pode dizer ao Lobo Antunes que o báu das crónicas em que escreve sobre estar sentado a escrever as crónicas há muito se esgotou?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O circo e o carnaval

Pode não parecer, considerando o post anterior, mas cresci com aversão a duas coisas: circo e carnaval. Certamente por infuência da minha mãe, infinitamente preocupada com tudo aquilo que pudesse chamar a atenção, cultivava-se em casa o apreço pela discrição nos modos e controlo nas exuberâncias. Pouquíssimas foram as vezes em que me terei mascarado em criança, e recordo com horror um Carnaval em Loulé, onde fomos levados não sei por quem (nunca por nunca pela minha mãe), que não era mais do que um ajuntamento insano de pessoas, apitos e martelinhos, numa alegria forçada que me pareceu inteiramente despropositada e totalmente desprovida de sentido. Tinha, em criança, verdeiro horror aos sacos de água e de farinha, aos fulminantes, estalinhos e bombinhas, para não falar nos ovos que, felizmente, parecem ter caído em desuso. É pois com algum sacrifício, bem disfarçado, que, ano após ano, colaboro na tarefa de fantasiar os meus filhos, sempre e somente a pedido dos próprios, engolindo a velha aversão - ou não me propusesse eu, todos os dias, não os influenciar com os meus preconceitos, manias, traumas e aversões.