segunda-feira, 31 de agosto de 2009

In Memoriam

Também eu me lembro dele com frequência. Também eu me saturava ciclicamente, apenas o suficiente para o evitar de vez em quando e isso pesar-me na consciência. Felizmente nunca levou a mal as vezes em que não respondia aos telefonemas e continuava a procurar-me para almoçarmos, para breves encontros em que conversava sem parar. Por detrás dos demónios e para lá dos desvarios havia uma das pessoas mais íntegras, mais amigas e mais leais que conheci. No seu último ano e por entre vários internamentos encontrámos-nos algumas vezes: aparecia-me em casa ao fim-de-semana, almoçámos duas ou três vezes. Tomo conforto nessas lembranças. Estava terrivelmente só, mas não se queixava, apenas lamentava que as pessoas o tomassem por estúpido – que ele não era de todo. Era esse, aliás, o seu grande tormento: não conseguir dominar, nem fazer uso adequado do cérebro outrora tão eficaz. Disparatava sem querer, antagonizava sem pretender, testava à exaustão a tolerância e compreensão alheias, que tantas, tão repetidas vezes lhe falharam. Tinha a perfeita, lúcida consciência das suas limitações e sofria muito com isso, mas mantinha uma fé inabalável, tendo a coragem de viver o melhor que sabia e podia.
Tenho-o muito presente, às vezes até me esqueço que já não está.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

La Chanson des Vieux Amants

Sorry, não há versão ao vivo.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Férias

Uma semana sem pegar no carro, a dormir a 30 metros da rebentação e totalmente alheada da silly season portuguesa é aquilo a que eu chamo férias.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

(cont.)

Vim a Lisboa passar a semana mais quente do ano. Agora se não se importam vou acabar as minhas férias ali para os lados de Africa.
Sem portátil.
Volto já.

No need to argue

Só queria dizer que este continua a ser um grande album. Ontem à noite ouvi-o in toto, a poltrona chegada à varanda, as pernas do lado de fora *, a vista privilegiada sobre Lisboa**, uma mini pousada no chão***, o pensamento a esvoaçar.
Prazeres. Simples.
* 1 metro de profundidade, a varanda
** não passa dia nem noite sem que abençoe a vista
*** super bock 20 cl, estupidamente gelada

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Coisas boas para se fazer numa tarde de canícula em Lisboa

Aquelas que são boas a qualquer hora, não importando o estado atmosférico.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Seal

O Verão no Algarve (allgarve, insistem eles) é tempo de mini-concertos de estrelas cadentes, em ascensão, ou semi-reformadas. Fui desafiada numa tarde de praia para ir ver o Seal, perto de Albufeira. Num programa absolutamente espontâneo (são sempre os melhores) e reunindo, muito a propósito, um grupinho de amigos do antigamente que não se juntava há duas décadas, partimos rumo aos Salgados, comprámos os bilhetes à porta do recinto quando soava a hora do concerto e fomos andando descontraidamente até nos encostarmos ao palco, mesmo a tempo de ver surgir a figura um pouco envelhecida, engordada mas ainda com muito estilo, que ali mesmo a dois metros nos manteve ocupados nas duas horas seguintes. Foi, no mínimo, divertido. No fim do concerto voltámos em busca da velha fábrica do pão quente. Tudo junto fez-me duvidar da real passagem do tempo.

Aqui fica a inevitável foto via telemóvel: