domingo, 26 de julho de 2009

Risos

Os vizinhos, a 50 metros, para lá da sebe, não param de rir e conversar à volta da mesa. Tenho saudades das noites algarvias de conversas e risos à volta da mesa. Tenho saudades das noites algarvias de risos e conversas. Tenhos saudades das conversas e risos à volta da mesa. Tenho saudades das noites. Tenho saudades das conversas. Tenho saudades dos risos.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

I have (very briefly) joined a Conga Line

O Lourenço, do Complexidade e Contradição, menciona isto. Quem nunca, nem brevemente, o fez - nem mesmo depois de todo o espumante, vinho e whisky de malte no casamento da prima da namorada - é alguém que tem um medo desmedido do ridículo. O medo do ridículo (conheço-o bem, mas de fora, de fora) é a coisa mais castradora, redutora e - como dizê-lo? - empertigadora da história. Uma vida empertigada é uma vida mal vivida. Uma vida sem ridículo não é uma vida completa, nem verdadeira.

Interrompi as minhas férias para escrever esta pérola. O de cinco anos tem um galo na testa a atestar que já sabe andar de bicicleta sem rodinhas, a de três anos trouxe da rua para casa um gato bébé que já tomou conta do espaço (horror, horror, I am a dog person), já tive a grande discussão do Verão, já apanhámos Levante, Poniente e chuva na praia, hoje jantei fora pela primeira vez e bebi meia garrafa de vinho. São as férias.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Até logo

Vou de férias grandes.
O portátil está sempre à mão, mas haverá mais com que me entreter: ouvir os grilos e olhar as estrelas. Comer bolas de berlim. Atentar num par de crianças com menos de 6 anos.

Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência

Só para terminar: a propósito da incessante busca, por parte dos leitores, estudiosos e críticos, de elementos biográficos e alter egos nos protagonistas masculinos da sua obra, Philip Roth terá dito que os seus romances são falsas biografias.
É uma excelente resposta. Salvadas as devidas imensas desmedidas distâncias, acho que vou aplicá-la aqui a partes deste meu casulo. É melhor, e mais rigorosa, do que a da escrita criativa. E ainda assim deixa, como convém, uma certa ambiguidade no ar.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Repitam comigo: Nathan Zuckerman

Alguns so called críticos de cinema, nos comentários a Elegy, insistem em referir o personagem de David Kepesh como sendo o alter ego de Philip Roth, aquele que aparece repetidamente nos seus romances. Erro. É verdade que Kepesh aparece em duas outras obras do autor, para além do agora adaptado The Dying Animal. São elas The Beast e The Professor of Desire, publicadas nos já longínquos anos 70 - e duvido que haja muito quem as tenha lido recentemente. O alter ego de Philip Roth não é outro senão Nathan Zuckerman, o escritor (não o professor), que protagoniza abundantemente os seus trabalhos entre 1979 e 1986, e depois novamente nos anos 90 e 2000, na trilogia: The American Pastoral, The Human Stain e Exit Ghost.
Nathan Zuckerman é, aliás, um personagem bem mais profundo e interessante do que David Kepesh, ou não fosse ele o espelho do autor - ou so it is said. Alguns (americanos) consideram-no mesmo uma das grandes criações da literatura. Nathan Zuckerman foi interpretado por Gary Sinise (esse mesmo, do CSI) na adaptação cinematográfica de The Human Stain, que conta também com Anthony Hopkins, Nicole Kidman e Ed Harris - por sinal um bom filme, baseado numa história fantástica.
Se vão fazer crítica, façam os trabalhos de casa. Se vão pretender ter lido mais livros do que aqueles que leram, façam os trabalhos de casa. Vão à Wikipédia, vá, não copiem uns pelos outros. Irra, que já me estavam a conseguir baralhar.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Consideremos as mãos

E, pegando-lhe nas mãos, ela diria: pois eu gosto das tuas mãos. Em primeiro lugar, porque não aprecio homens com mãos macias e efeminadas. Depois, porque gosto da ideia de que as usas para trabalhar, isso confere-lhes uma nobreza especial. A seguir, porque gostei da forma subtil como, pelas nossas mãos, te aproximaste de mim. Finalmente, porque olhando para elas ponho-me a imaginar aquilo que são capazes de fazer. Era nisso que estava a pensar quando me perguntaste em que é que estava a pensar. Bem vês que era inconfessável.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Para esquecer

By the way, O Leite Derramado, apesar de lido em dois sopros, tem pouco interesse: é fundamentalmente tempo perdido.
E abstenham-se, como eu, de tentações patetas relativamente ao novo quase-romance do MST: como se não bastasse o percurso anterior, depois disto não podemos dizer que não fomos avisados. Livra.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Elegy


aqui e aqui debati a questão das adaptações cinematográficas. Fui ver o Elegy, e devo dizer que é, de longe, aquela que mais me enche as medidas. Concedo que The Dying Animal - o livro - não me convencera inteiramente, confesso que Philip Roth, apesar das inegáveis qualidades, raramente conseguiu atingir-me no âmago (ou vice-versa). Ao terceiro ou quarto romance, finalmente percebi que o que me faz falta é aquela dimensão feminina da sensibilidade de que os seus personagens masculinos são áspera e intencionalmente desprovidos. Elegy - o filme - recupera essa qualidade, sem dúvida através das mulheres que nele intervêm: realizadora e actriz. Não me espanta pois que os críticos, sempre homens, possam desprezar aquilo que talvez considerem a adulteração ou softening do personagem David Kepesh. Injustamente, porque Elegy resulta num filme muito tocante, com uma representação imaculada de Ben Kingsley e Penélope Cruz (e eu que embirro com a senhora) e uma fotografia belíssima.
Alguém comentou que é um filme muito triste sobre a solidão de um homem. Discordo inteiramente. É um filme muito bonito sobre o amor apaixonado (a forma mais complexa e difícil de amor), sobre as difíceis incongruências do envelhecimento e, sim, sobre a solidão, mas a solidão de todos nós. A solidão de David Kepesh não é mais pungente do que a de todos aqueles que o rodeiam, incluindo Consuela. É, sim, mais exposta, porque é assumida. É, no termo que ele finalmente encontra para se definir frente ao filho, mais honesta.

On our feet

Agradeço ao Jansenista a oportunidade de tornar ao A Case of You, de Joni Mitchell: foi uma forma muito agradável de terminar o dia. Ainda mais quando conjugada com relatos de independência, que animam qualquer alma. Cheers!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Thunder Road

As deambulações desta noite conduziram-me muito longe: os 15 anos foram um ano de transição e aos 15 anos eu ouvia muito Springsteen. Thunder Road será sempre uma faixa emblemática do Boss: puro e duro - e não me venham falar em "performers". Surpreendeu-me perceber que ainda hoje sei a letra de fio a pavio.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Da inelutabilidade

Há coisas inelutáveis - disse ela, e a percepção da inevitabilidade cria momentos de absoluta liberdade, pequenos espaços no tempo em que respiramos ar livre de ponderação, de culpa, de juízos. No momento - por muito breve - em que nos entregamos à inevitabilidade de uma coisa, somos livres, inteiramente.

domingo, 5 de julho de 2009

Do amor

Ontem fui a um casamento, coisa que já não fazia há alguns anos: a minha geração já casou, pelo menos uma vez, e a dos filhos ainda está longe de o fazer. Durante o jantar, o senhor que me calhou do lado esquerdo comentou que é curioso como, apesar de tudo, as pessoas continuam a casar. Eu respondi-lhe que, quanto ao amor, o melhor que se pode desejar está contido no verso de Vinicius de Moraes: que seja infinito enquanto dure.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Aqui está

Here Comes the Sun é uma canção dos Beatles, composta por George Harrison e lançada no álbum Abbey Road de 1969 (sorry, não encontrei video "oficial").

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Julho

É Julho, mas aquela música até me faz esquecer a minha zanga com o mês de Julho: é que já me levaram três amigos, os meses de Julho.

Here comes the sun

Esta música faz-me pensar em coisas boas, luminosas, coloridas, felizes, cheias de riso e esperança, alegria e serenidade, descobertas, surpresas, deslumbramentos. Balões vermelhos e mesas com toalhas bordadas na expectativa dos amiguinhos a chegar, a alegria eufórica do último dia de aulas que precedia a incomensurável liberdade das férias grandes, a excitação da saída para mais uma aventura marítima de longos dias, a promessa do encontro dos amigos de Verão, os enamoramentos estivais, a magia dos primeiros beijos, inevitáveis, puros, encantados, carregados de contido deslumbre e promessas de futuro. Esta música é a contínua esperança de que haverá sempre um futuro pejados de momentos assim.
Todas as manhãs a tenho ido ouvir ao Controversa Maresia.