terça-feira, 28 de outubro de 2008

London - UK

Breve escapadela a uma capital europeia (e eu com um resfriado dos diabos)
Até logo.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

5

Cinco anos é um número redondo e na minha cabeça passo a poder considerá-lo um rapazinho - ainda que na maior parte das vezes não se comporte como tal. A compreensão, essa, às vezes parece quase a de um adulto. Recordo-me bem da frustração de me julgar uma adulta presa no corpo e nas limitações impostas a uma criança. Sempre quis, mais do que tudo o resto, crescer, porque com o crescimento vinha a liberdade. Julgava eu.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Empatia

Vou repetindo, para mim e para os que às vezes me ouvem, que a rápida aproximação à década seguinte tem trazido sucessivos regressos ao passado, ocasionais e inesperados, que redundam naquilo que passei a apelidar de crise dos quarenta, por ser tão redondamente text book. Reencontros sucessivos que me recordam as andanças de uma vida - a minha - que às vezes até parecem várias outras, de tão distantes se tornaram. Emergem sob a forma de pessoas que reaparecem para me recordar de quem fui, logo, de quem sou, embora por vezes disfarce bem. Interpreto-as como chamadas de atenção, não vá a rotina fazer esquecer o rumo com que iniciei esta longa caminhada, cuja orientação nem sempre consigo distinguir.
Estes últimos dois anos têm sido muitíssimo intensos nessa dimensão de regresso ao passado, ultrapassando largamente a nostalgia própria de quem chega a um ponto de viragem e, num vislumbre, recorda o que ficou para trás. Há também isso, é certo, às vezes não faz sentido que seja mais do que isso mas, muito curiosamente, em alguns casos tenho tido a surpresa e alegria de poder fazer do passado presente, recriando amizades e reinventando novas formas de as integrar no aqui, no agora. Algo que não julgara possível. E quando penso que já revisitei tudo e todos, que já reinventei o que havia a reinventar, surge sempre mais alguém.
Ontem celebrei um reencontro de tempos longínquos e terras distantes. Esta coisa do relacionamento entre duas pessoas passa por várias premissas, mas uma existe que dispensa muitas outras: a empatia. A empatia dispensa permanência, continuidade, pretexto, familiaridade. Passados 11 anos, não houve nem estranheza, nem desconforto, nem silêncios embaraçosos. Houve apenas bem estar, imensa alegria e muito, muito que conversar.
Eis a essência da amizade. Mais, eis essência da vida, tal como importa. Como disse o meu amigo reencontrado: vale maningue.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Poemário

Decidi criar um arquivo online com os textos que, ao longo do tempo, passaram pelo Poemário deste blogue. Foi, desde o início, uma selecção baseada em critérios puramente subjectivos, sem grandes pretensões, reflectindo um gosto muito pessoal pela força, beleza e musicalidade das palavras simples e puras (não é à toa a minha predilecção por Eugénio de Andrade). Até agora, maioritariamente portuguesas, o que revela tão simplesmente a minha devoção à nossa língua.
Os poemas escolhidos foram projectando estados de alma, reflexões, posts publicados, conversas e leituras, e traduzem os resultados de uma procura mansa e continuada por entre os livros de sempre, ou aqueles que vou folheando nas livrarias e fazendo meus.
Tenho a noção de que não constam todos os que já por aqui passaram - alguns ter-se-ão perdido pelo caminho, sem que fossem devidamente arquivados. Todos foram retirados de publicações impressas, tentando assegurar o rigor da reprodução. Se alguma falha existe, é gralha minha que terá sobrevivido às inúmeras revisões.

Podem aceder ao arquivo através do link que introduzi na barra lateral.

Fúrias

Dias há em que acordo com diposição para levar tudo à frente: sobre o primeiro incauto que me apareça com mísera contrariedade, despejo a fúria desmedida. Exaurida mas aliviada, retiro-me para o meu canto, remoendo a culpa que me vai transformar num cordeirinho pelo resto da manhã.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Deserto

Curiosamente e apesar de nunca ter lido a obra, há um excerto do Désert, de Le Clézio, que desde há muitos anos trago profundamente enraízado na memória e que suspeito tenha contribuido, de alguma forma, para o meu absoluto fascínio pelo deserto.
Quem é capaz de marcar assim um leitor desavisado, através de um simples excerto, só pode ser merecedor de reconhecimento universal.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Antes que o diabo saiba que morreste

Fico muito satisfeita quando, nas poucas vezes que consigo ir ao cinema, saio de lá com aquela sensação de ter levado um soco no estômago - no bom sentido, entenda-se.
Um Sidney Lumet em plena forma, um filme muito bom, com um epílogo brutal (over the top, pensei eu a quente, mas à distância julgo que é just right).
Philip Seymour Hoffman no seu melhor, fascinante, ou como ele próprio gostaria de ser qualificado, num trocadilho cheio de humor: muito denso: "A lot of people describe me as chubby, which seems so easy, so first-choice. Or stocky. Fair-skinned. Towheaded. There are so many other choices. How about dense? I mean, I'm a thick kind of guy. But I'm never described in attractive ways. I'm waiting for somebody to say I'm at least cute. But nobody has."
Ora eu diria que, não obstante o excelente desempenho all around, protótipos da beleza como Ethan Hawke ou Marisa Tomey empalidecem ao seu lado: Philip Seymour Hoffman ocupa toda a tela.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Mulher versus Homem ou Lei Universal

Hesito. Desisto. Retomo. Hesito novamente.
Hesito entre tornar-me insistente - detesto ser insistente embora saiba que às vezes sou - e deixar passar. Deixar passar, encolhendo os ombros e pensado que pouco posso já fazer, que haverá melhores dias. Não que a teimosia e a perseverança produzam necessariamente resultados diferentes, eventualmente produzirão piores, mas pelo menos não haverá arrependimentos, nem sombras do que poderia ter sido. Sobretudo não quero ficar-me entre o pouco e coisa nenhuma.
Hesito entre tornar-me patética e conter-me pelo simples medo de me tornar patética – não sei o que é pior. Irrita-me que, na minha insistência, seja patética, coitada. Chateia-me muito que me obrigues a desfiar ladainhas como esta quando não me obrigas a nada, nem tão-pouco pareces esperar coisa alguma. E aí está: não alimentas nada, é verdade, nem sequer me hostilizas, apenas fazes como se não te importasse. Eu posso até acreditar, ou fazer por acreditar, que não te importa, quando a mim me importa e muito e, francamente, acho que sim, que é importante. Faço bem? Não me parece. No fundo, acharás tu que faço bem? Ou estarás apenas a fugir para frente, pretendendo não te caber a ti qualquer palavra?

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Intervalo

Parece contraditório, mas não será: ando a dormir bem como tudo, é só pousar a cabeça na almofada e partir para a terra dos sonhos. Agora, quando acordada, parece que estou vazia - nem sombra dos pensamentos delirantes, dúvidas circulares, questões confundas e os outros mimos do costume. Disse e repito: sem insónia, não me reconheço. Deve ser um intervalo.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Voltando ao tema Paul Newman

Meu caro PVM, o que o Mexia queria dizer, no seu (perdoem-me a desfaçatez) infeliz post, era que um homem aparentemente feliz, forte, recto, incontroverso, com um casamento de uma vida inteira, não pode ser muito interessante - nem como homem, nem como actor. Que o sofrimento, a fragilidade, a rebeldia e o lado negro é que tornam os seres humanos verdadeiramente profundos e, logo, apelativos. Que um homem muito bonito, bonito demais, só será irresistível com umas cicatrizes à la Montgomery Clift.
Julgava eu que só as mulheres caíam nessa.