segunda-feira, 30 de junho de 2008

Amor táctil

Fiquei verdadeiramente impressionada com este post do outro dia da Ana de Amsterdam. De tal forma que demorei a decidir-me a escrever sobre ele. É que eu pensava que este meu amor táctil, repleto de beijos, abraços, agarramentos, mãos nas mão, mãos nos pés, beijos nos pés (o pés, ai os pés), voltas e reviravoltas nos cabelos (cheiram tão bem os cabelos), muito colo e vai mais um abraço e um beijinho, era doentio e um bocadinho vergonhoso. Meus ricos filhos que os sufoco com tanto afecto e sabe-se lá que outros males lhes poderei causar. Tal e qual, Ana.
(e para quê escrever sobre o assunto se ficou tudo dito e tão bem dito?)

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Carácter

O carácter não pode ser desenvolvido na calma e tranquilidade. Somente através da experiência de tentativas e sofrimentos a alma consegue o sucesso.

Helen Keller (1880-1968) (citada na revista "Sábado")


quarta-feira, 25 de junho de 2008

Instantes (6)

O conforto do silêncio sucedendo a conversa amena, o suave embalar do vinho do jantar, o calor do lume elevando-se entre as escadas, tudo emprestava à atmosfera uma doçura muito própria enquanto se preparavam para o fio penetrante que se adivinhava lá fora, caindo da serra naquela noite de inverno.
Ele cingiu-lhe o casaco ao corpo, fechando-lhe os botões num gesto de ternura amorosa enquanto a encarava do fundo dos olhos azuis, o lugar onde vivia a alma que, no enlevo daquele olhar, lhe entregava. Ela, instintivamente, soube que aquele era um momento mágico, para sempre relembrado, um fragmento essencial da sua vida, passada, presente e futura.
O tempo deteve-se pelo breve instante de compreensão em que se tornou claro, com a evidência súbita das grandes verdades, que ali, naquele pequeno pedaço de eternidade, se condensava todo o sentido da existência.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Um Capricho da Natureza

Por um euro comprei na semana passada "Um Capricho da Natureza" da sul africana, nobel da literatura, Nadine Gordimer. A edição (e tradução?) é bastante má (gralhas mais gralhas), já vai sendo hábito, mas o livro é bastante bom. Pontos a favor da literatura acessível a todas as bolsas.

Menina e moça

O entregador de pizzas (um sujeito já entradote, está tudo explicado), tratou-me por "menina", assim: boa noite, menina. Quase corei.

sábado, 21 de junho de 2008

Midsummer night: 21h30

A hora da bola - síntese

Foi uma experiência interessante. Ficou provado que, quando nos alheamos de uma situação (ainda que isso obrigue a um permanente exercício de alienação perante a realidade ululante*), conseguimos evitar todo e qualquer envolvimento emocional. Assim sendo, é garantido que nem sombra de sofrimento, nem uma pontinha daquela sensação de ter andado a perder tempo e energia. Felizmente, este nunca foi, e espero que nunca venha a ser, o meu mote para a vida. Vou continuar a gastar carradas de energia emocional noutros departamentos. E continuar a achar que vale a pena.

(* declinação da magnifica expressão "óbvio ululante" de Nelson Rodrigues - que nunca partilharia qualquer exercício de alienação perante o futebol.)

sexta-feira, 20 de junho de 2008

A hora da bola


As docas à hora do Portugal - Alemanha

quarta-feira, 18 de junho de 2008

A hora da bola


A A2 à hora do Portugal-Suiça.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Da amizade

Ninguém duvida que as relações de amizade são, regra geral, mais flexíveis do que as relações amorosas. Exige-se menos, tolera-se mais, aceita-se o outro tal como é, acha-se graça às diferenças, à manias, à taras (!), perdoam-se os atrasos, as não comparências, as ausências, os silêncios, as divergências. A amizade é, em muitos casos, a versão perfeita do relacionamento entre duas pessoas. Sobre a amizade não se conversa nem se discute, apenas se age em conformidade. É mais espontânea e menos formal, não tem data de começo, nem palavras de encerramento. Claro que há amizades mais perfeitas do que outras. Mais ou menos tolerantes, mais ou menos abertas, mais ou menos generosas. Mais e menos fáceis.
A amizade nasce pelos mais variados processos e motivações. Entre o mesmo sexo e entre sexos diferentes. E depois há o amor disfarçado de amizade e até a amizade disfarçada de amor. E um(a) que se transforma na(o) outra(o).
Uma verdadeira relação de amizade amadurece pela vida fora, transforma-se, adapta-se e perdura apesar de todas as coisas. Ou não. O afastamento lento e gradual pode ser um processo natural, mas nem por isso indolor. Às vezes seria útil poder dizer: olha, vamos dar um tempo e assim evitar a consternação das palavras desconfortáveis onde já não há entendimento, dos encontros falhados em homenagem ao que foi e sabe-se lá se voltará a ser. Por vezes temos a alegria de redescobrir a amizade ao fim de longos anos, ou a tristeza de reconhecer que se quebraram todas as pontes.
Como todas as coisas que valem a pena, a amizade dá-nos alegrias e tristezas. Com tónica nas alegrias.

sábado, 14 de junho de 2008

A hora da bola


A praia à hora do Portugal - República Checa

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Clint Eastwood + Diana Krall

Gosto muito de Clint Eastwood - realizador. Só não sabia que ele é também o autor da letra deste magnifico Why Should I Care, interpretado por Diana Krall para a banda sonora do filme True Crime (1999) que acabei de (re)ver na Tv.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Bola

Afinal há mais como eu no que se refere ao Europeu. Bem hajam!
Cá por mim vou fazer como fiz no anterior: aproveitar as horas dos jogos da selecção portuguesa para fazer compras, passear na cidade deserta, ir à praia e viajar entre Lisboa e o Algarve com a auto-estrada só para mim. E, sobretudo, não ligar a televisão.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Mitos

Existe aquela ideia que os portugueses são um povo simpático e amável. Pois bem, indo eu hoje em passo de marcha pelas calçadas de Lisboa estatelei-me no chão em frente a um prédio em obras, escorregando miseravelmente no passeio que, segundo vim a apurar, estava cheio de óleo. Magoei-me no joelho e na mão (nada de sério) e, claro, no meu orgulho, tendo demorado uns segundos a pôr-me de pé e outros tantos a avaliar os estragos e sacudir a roupa, de tão desorientada fiquei. Durante esse tempo os dois homens que descarregavam entulho da obra a dois metros de mim não me dirigiram uma palavra, o mesmo acontecendo com algumas pessoas que passavam por ali.
E assim se desfez mais um mito sobre as vantagens de se viver neste país à beira mar plantado (e n.b., desta vez nem o género nem as outras coisas me valeram).

terça-feira, 3 de junho de 2008

Concert list

A propósito de concertos, tentei elaborar rapidamente uma lista mental daqueles que perduram na memória como os mais marcantes, pelos mais diversos motivos: do longínquo Rod Stewart no Estádio do Restelo, em 1983 (porque foi o primeiro, com treze aninhos, pois sim), ao catártico Leonard Cohen no Coliseu dos Recreios em 1988, do inesperado Sérgio Godinho (genial) em 1991 (ou 92 já não sei bem, na Festa do Avante), à descoberta de Marisa Monte na Aula Magna em 1989 ou Massive Attack no Pavilhão Atlântico em 1998, só para enumerar os primeiros que me vêm à cabeça (e de repente lembrei-me de Cesária Évora no teatro São Luiz, nos anos 90, e de, e de ...). Na verdade a lista prolonga-se, é muito eclética, e como com todas as listas é muito dificil de chegar a uma versão final e definitiva, sendo desde logo impossível deixar de fora os grandes como U2, David Bowie, Sting, Rolling Stones, quase todos no velho Estádio de Alvalade (ou Bruce Springsteen em Madrid em 1987, por exemplo) e por aí fora, e mais os incontornáveis brasileiros: Chico, Bethânia e Caetano. Desisti portanto de eleger os mais marcantes: o que gostaria mesmo é de conseguir elaborar a minha concertografia dos últimos 25 anos, para a posteridade, mas as memórias confundem-se, as datas são quase impossíveis de fixar (por exemplo, sei que vi The Cure mas não faço ideia quando nem onde) e em alguns casos já nem sei se estive lá ou apenas desejei estar. Só tenho a lamentar que os últimos anos tenham sido mais pobres nessa matéria (com algumas preciosas excepções) porque o essencial é mesmo ir: ir muito, ir sempre, e continuamente deixarmo-nos surpreender pela magia da comunhão musical. Um hábito a não perder.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Triste palhaçada

Fui só eu a achar patética, absurda, disparatada e inconcebível a pantomima organizada ontem em redor da saída da equipa portuguesa para o campeonato europeu?

domingo, 1 de junho de 2008