terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
So many movies, so little time
sábado, 6 de Fevereiro de 2010
Blogue
quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010
Crónicas
segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010
O circo e o carnaval
sábado, 30 de Janeiro de 2010
O Carnaval no Rio - 2002
From: Andrea Carvalho Rosa
Sent: quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2002 19:06
Subject: O Carnaval no Rio
Recebemos as fantasias no próprio dia, umas horas antes de partirmos para o sambódromo... e ainda bem! Imagino que não dormiria se a tivesse recebido de véspera, tal a dimensão, complexidade e principalmente, peso da coisa. Foram-nos entregues 13 fantasias (éramos um grupo dessa ordem), que enchiam completamente uma van, a típica "pão-de-forma" cá do Brasil. Demorámos uns bons momentos para compreender como aquilo se vestia, e tivemos que recorrer à ajuda do rapaz que as entregou. A dita fantasia era unisexo e composta por umas ridículas calças de lycra amarelo fluorescente, uma espécie de saia de veludo azul cheia de bordados, atada atrás com uns cordões e umas bolas vermelhas penduradas, e em cima (com um intervalo para a barriga de fora, quer para os homens, quer para as mulheres) uma estrutura rígida constituída por uma ombreiras muito largas do mesmo veludo azul, que chegavam abaixo do peito, com duas asas douradas a sair dos ombros, plumas vermelhas e, para arrematar, uma estrutura de metal que se prendia na parte de trás das ombreiras e de onde saiam umas enormes labaredas feitas de esponja que se elevavam acima da cabeça para depois caírem a arrastar pelo chão. Finalmente, um capacete tipo elmo prateado de onde partia a cabeça de pássaro. Ah, e mais umas braçadeiras amarelo fluorescente e umas sapatilhas do mesmo tecido e cor. Assim era o "Fénix da Malaca" da "Unidos da Tijuca".
O rapaz da escola insistiu muito para que não vestíssemos nada que se visse por baixo, aconselhando as senhoras a usar um soutien azul escuro, ou, melhor ainda, nada! Visto que os ombros eram pesadíssimos e tínhamos que sair fantasiados de casa porque depois não haveria onde deixar as roupas, fomos a correr a uma feira do bairro e conseguimos comprar uns tops curtos azuis escuros, que nos permitiram sair de casa sem ter que levar vestida a estrutura das ombreiras com as asas e as chamas. Ora imaginem lá a figura de 13 tugas, femininos e masculinos, a sair de casa em Ipanema, de calças de lycra meio transparentes amarelo fluorescente (estava muito calor para vestir desde logo as saias de veludo), sapatilhas da mesma cor, os homens de tronco nu e as mulheres quase. Metemo-nos todos, mais os acessórios, dentro de duas vans e lá fomos, com o samba-enredo aos altos berros, enquanto tentávamos decorar pelo menos o refrão.
Deixaram-nos no lugar onde a escola se preparava, às portas do sambódromo, duas horas antes da hora prevista. Na primeira meia hora estivemos a tentar perceber e colocar os restantes acessórios das fantasias e depois, debaixo de chuva ocasional, mais duas horas à espera da grande hora, com aquele coisa toda vestida e montada. Felizmente o bom humor não faltava, falava-se e comentavam-se os vizinhos e tiravam-se fotografias.
Quando finalmente chegou a nossa vez e as 4.500 pessoas que, em cortejo, compunham a escola, começaram a avançar para as portas do sambódromo conduzidas por um punhado de coordenadores, a impaciência já era muita, os pés ávidos de samba mas já cansados de tantas horas em pé. Os coordenadores gritavam, antes de entrarmos: - cantem e dancem, cantem e dancem! O samba enredo invadiu o ar, uma e outra vez, recomeçando assim que acabava. A entrada no sambódromo é um momento cheio de expectativa, seguido da surpresa de descobrir o público tão perto, não havendo aquela sensação de se estar no meio de um estádio, ou num verdadeiro palco. Estávamos numa ponta, de forma que o público das primeiras filas estendendo os braços poderia tocar-nos. Observados por milhares de olhos, mas nem por isso nos sentindo como estrelas, sabemos que temos que dar o máximo, dançar e cantar o quando pudermos e soubermos (ou pelo menos fingir que cantamos, nas partes que não sabemos de cor). É fascinante olhar para aqueles milhares de pessoas, de todas as idades, raças e estratos sociais. Bonitas, feias, magras e gordas, elegantes ou pavorosas, passamos pelos camarotes, pelas frisas, pela geral, pelas bancadas inundadas de gente e em todos eles a mesma energia, tudo a dançar, a cantar e a vibrar.
Encaixados entre dois gigantescos carros alegóricos, não temos a noção da evolução da escola, de tal forma que, pelo menos comigo, deu-se uma inversão de papéis: senti que eu era o público e que o verdadeiro espectáculo decorria nas bancadas. Pela Marquês de Sapucaí abaixo, era um desfile de público e eu ia pensando: "Aquelas sabem a letra toda. Olha aquele a tirar-nos uma fotografia. Aquela miúda ali em cima, como samba! Aquele é o camarote da Bhrama, deve ser onde está a Bush. Mas onde raio estará o júri? Deixa-me ver se o resto da malta está a aguentar este ritmo. Espero que ninguém repare que não sei sambar. Tantas caras, não vou conseguir distinguir ninguém. Raios, partiu-se-me uma asa! Será que isto penaliza a escola? Mas como é que esta gente tem energia para dançar e cantar e saudar 10 escolas por noite, se nem o meu próprio samba-enredo consegui decorar?" E por entre encontrões das asas, muito agitar de braços e algum ritmo, lá fomos desfilando... e desfilando... e desfilando. Olhávamos uns para os outros e riamos das nossas figuras, enquanto nos encorajávamos a continuar. Tinham-nos dito que passava num instante mas lembro-me de a meio do desfile, com a língua de fora e o sorriso já quase colado à cara, pensar: Céus, devemos estar mesmo a chegar - e com desespero espreitar para a frente para descobrir que ainda íamos a meio. Felizmente a energia do público dá-nos forças para prosseguir. E embora sem compreender bem o significado de tudo aquilo - porque a verdade é que, não sendo brasileiros, há qualquer coisa que nos impede de entrar plenamente naquele estado de euforia colectiva - lá vamos sambando avenida abaixo.
Passámos momentos difíceis quando, sem saber porquê (depois viemos a saber que um dos carros encravou) ficámos 15 minutos parados, a meio da avenida. Quinze longos minutos a ter que dançar em frente das mesmas pessoas, a verdade sobre a nossa real incapacidade de sambar posta a nu - é que enquanto se avança é mais fácil de improvisar! Uma longa hora depois, com as fantasias tortas e meio partidas, cobertos de suor e com as energias esgotadas, lá fomos chegando à praça da apoteose, onde tudo acaba. No final já ninguém dança, apressando-se e espremendo-se em direcção à saída.
Transpostos os portões do sambódromo, descobrimos uma montanha colorida de vários metros de altura: era o cemitério de fantasias, para onde os passistas se desembaraçavam do seu peso, das suas plumas, da sua cor e alegria. Assim nos aliviámos também, regressando aos trajos menores, as ditas calças amarelo fluorescente, agarradas às pernas de tanto suor, os troncos nus ou semi-nus, transpirados e cansados, o capacete debaixo do braço como recordação e, por entre uma agitação pacífica, fomo-nos retirando, compreendendo afinal porque é que Carnaval é a festa de todos, não distinguindo condição social, raça ou credo - e nem nacionalidade.
É uma experiência que se vai revivendo ao longo dos dias seguintes, juntamente com o samba-enredo que não sai da cabeça. No momento em que desfilamos é difícil de abarcar tanta confusão e a partir de certo momento só pensamos em não desiludir o público e conseguir chegar ao fim. Só mais tarde se revive os detalhes, se saboreia verdadeiramente a excepcionalidade da ocasião. Esta é a matéria de que são feitas as grandes recordações.
A.
sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010
Blackbird

terça-feira, 26 de Janeiro de 2010
... do mundo.
... ao fim ...
segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010
Até ...
Fragmentos
quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010
segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010
Energia vital
Tenho medo de perder energia vital, pois explicar um projecto é o caminho mais rápido para não o concluir.
sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010
Crónica
terça-feira, 12 de Janeiro de 2010
A gota de água
segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010
O poder de escolha
sábado, 9 de Janeiro de 2010
Cervicobraquialgia
segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010
A seguir
sábado, 2 de Janeiro de 2010
Nas calendas de 2010 (*)
quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009
Esperando por 2010
Faço um castelo na areia do futuro. Torres
de névoa, ameias de fumo, pontes levadiças
de indecisão. Vejo a areia escoar-se
na ampulheta dos séculos; e um exército
de ondas rompe as linhas do infinito,
derrubando os muros da manhã.
Nuno Júdice
domingo, 27 de Dezembro de 2009
Work in progress
sexta-feira, 25 de Dezembro de 2009
Tobias
quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009
All I want for Xmas...
terça-feira, 22 de Dezembro de 2009
Da culpa
domingo, 20 de Dezembro de 2009
Nowhere Fast
É realmente muito simples: uma noite inteira a dançar vale por vários dias de férias, horas de conversa, caixas de ansiolíticos, noites de sono reparador, inumeras sessões de yoga, noitadas de copos, bunjie jumping ou qualquer outro método de descompressão ao alcance de um gajo. É assim desde os meus 15 anos, e espero que continue pelos quarenta adentro. E que esta continue a ser, sempre, indiscutivelmente, a melhor música para o efeito.
sábado, 19 de Dezembro de 2009
Uma questão de perspectiva
sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009
A perfeição da estupidez
quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009
Alfa Pendular ou a chocolateira
A dissolução do enguiço permite-me agora, no regresso, navegar dentro desta chocolateira, cujos abanões em nada se assemelham ao movimento de um pêndulo, e recuperar do trauma da ida ao ver os meus companheiros de carruagem colados aos monitores, sendando, replyando, forwardando, ccando, bccando e, pior, reply-allando, numa teia de comunicações que invade as caixas de email de todos os colaboradores que, no sossego dos seus gabinetes, tentam, talvez, desenvolver algum trabalho, nos intervalos dos acessos colectivos de reúnite aguda.
Eu por mim só ansiava por condições mínimas para blogar e interpelar os amigos, que isto de fugir à rotina diária sob pretexto de uma deslocação profissional é, para mim, uma festa. Agora regresso ao meu livro, Santa Apolónia não tardará.
quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009
4
e milagrosamente fomos duas,
de uma.
(à princesa mágica que completa hoje quatro anos)
Visão de futuro
sábado, 12 de Dezembro de 2009
Paris Review
sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009
O princípio de Peter
segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009
Do método
Leitura metódica: é coisa que venho tentando todos estes anos e já levo muitos com resultados sofríveis. Anualmente, são tantos os livros que abandono (não a meio mas logo no princípio, que eu não sou persistente, sou teimosa, o que não é a mesma coisa, não servindo a segunda característica para este propósito), quantos os que levo até ao fim. Para 2010 proponho-me, como todos os anos, ler mais alguns clássicos, desta feita preencher lacunas na língua inglesa: Faulkner, Conrad e alguns outros. Tenho o Ulisses na minha mesa de cabeceira. Em seguida, inevitavelmente, regressar aos franceses. Penso: porquê perder tempo com isto, se ainda não li aquilo? A justificação toma facilmente a forma de dois seres humanos pequenos, absorventes, esgotantes, associados a um aparelho rectangular e luminoso que me permite, em seguida, viajar mentalmente com um mínimo de esforço; ou de livros que se lêem ao correr dos olhos e se apagam logo de seguida. Ora, nesta matéria, como em tantas outras, o esforço bem orientado gera grandes compensações. É essencialmente uma questão de disponibilidade mental, que produz vontade, determinação, tempo e, a final, satisfação - que por sua vez gera mais vontade, and so on. Parece-me um bom plano.
domingo, 6 de Dezembro de 2009
Memory Lane: Don't Stop Believing
Passei pela nova série "hit" entre os adolescentes nos E.U. mesmo a tempo de me deparar com isto - e viajar até à adolescência. Quem se lembra dos "Journey"?
(façam click no link para o youtube)
quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009
Nocturno
quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009
Espera
segunda-feira, 30 de Novembro de 2009
Recorde pessoal
sábado, 28 de Novembro de 2009
Manhã
quinta-feira, 26 de Novembro de 2009
ORWELL: Diaries
quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
terça-feira, 24 de Novembro de 2009
Notas para um post
- porque é que os homens assumiram sem preconceitos, logo à partida, a versão electrónica dos diários (não me refiro aos que se resumem ao comentário politico e da actualidade, mas aos de que o Pacheco Pereira não gosta, i.e., os intimistas)?
- como é que os conceitos de esfera pública / esfera intima ou confessional se misturam?
- como é que isso pode ser relacionado com a psicologia masculina / feminina?
- huuuummmmmmm.............
sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Ainda a caligrafia
"Temos mantido em segredo as nossas mortes para tornar nossa vida possível."
As pequenas mortes que vamos acumulando até à morte derradeira, a final.
quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
Heart
quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
Caligrafia
terça-feira, 17 de Novembro de 2009
Crónica da gripe A: dia 5
segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
Carne Trémula

